Câncer de testículo atinge jovens e exige diagnóstico precoce na Bahia
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- há 5 dias
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O câncer de testículo, embora raro, é o tumor mais comum entre homens jovens, especialmente na faixa dos 15 aos 35 anos. No Brasil, cerca de 4,8 mil cirurgias de retirada do órgão são realizadas por ano. Entre 2015 e 2024, foram 47.928 procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados oficiais. Na Bahia, o cenário recente acende um alerta. Somente em 2024, 34 homens morreram em decorrência da doença.
Levantamento da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) aponta aumento nos procedimentos cirúrgicos. As orquiectomiasoncológicas unilaterais cresceram de 56, em 2024, para 75 em 2025, alta de cerca de 34%. No total, houve incremento de 20 cirurgias no período.
A faixa etária mais atingida é a de jovens adultos, com maior concentração entre 20 e 29 anos. A maior parte dos casos ocorre entre a população parda, refletindo o perfil demográfico do estado. A região Leste, onde está Salvador, concentra cerca de um quarto dos óbitos.
Apesar dos números, especialistas reforçam que se trata de um câncer com alto potencial de cura.
“O tumor de testículo é altamente curável, mesmo em casos com metástase. O problema não é a doença em si, mas o atraso no diagnóstico”, afirma o urologista Dr. Nilo Jorge Leão, coordenador de urologia do Hospital Mater Dei Salvador e da uro-oncologia do Hospital Santo Antônio.
Segundo o especialista, o principal sinal de alerta costuma ser negligenciado justamente por não causar dor.
“O mais comum é um nódulo endurecido no testículo, geralmente indolor. Isso faz com que muitos pacientes ignorem o sintoma inicial”, explica.
Outros sinais incluem aumento de volume, sensação de peso na bolsa escrotal, alteração na consistência do testículo e, em casos mais avançados, dor lombar ou falta de ar.
De acordo com o médico, qualquer alteração deve ser investigada imediatamente. “Pelas diretrizes, toda lesão sólida testicular deve ser considerada câncer até prova em contrário”, reforça.
O diagnóstico envolve exame físico, ultrassonografiae marcadores tumorais. Confirmada a suspeita, o tratamento inicial é cirúrgico, com retirada do testículo por via inguinal. A depender do estágio, pode haver necessidade de quimioterapia ou radioterapia.
Mesmo com protocolos bem definidos e taxas de cura superiores a 90% quando há diagnóstico precoce, mortes ainda ocorrem, principalmente por demora na procura por atendimento.
“O prognóstico depende diretamente do tempo até o diagnóstico. Quanto mais cedo, maiores as chances de cura”, destaca o especialista.
Entre os principais fatores de risco estão histórico familiar, infertilidade, síndromes genéticas e, principalmente, a criptorquidia, condição em que o testículo não desce para a bolsa escrotal na infância.
Não há prevenção específica para a doença. O que pode salvar vidas é a atenção ao próprio corpo.
“O autoexame não é um rastreamento formal, mas é fundamental como estratégia de conscientização. O homem precisa conhecer o próprio corpo e procurar ajuda ao menor sinal de alteração”, orienta.
Foi um pequeno sinal que mudou a vida do estudante Davi Chagas, de 15 anos. Tudo começou com um caroço discreto, sem dor, que parecia algo simples. Sem sintomas mais evidentes, o alerta demorou a acender. Até que, semanas depois, a dor surgiu de forma intensa durante um dia comum na escola.
O aumento repentino do testículo levou a família a buscar atendimento. Após exames e cirurgia, veio o diagnóstico: um câncer raro, agressivo, já com metástase nos pulmões. “Foi um choque. A gente não imaginava a gravidade”, conta a mãe.
O tratamento começou imediatamente, mas esbarrou em dificuldades no acesso a exames e terapias na rede de saúde. Diante dos obstáculos, a família decidiu buscar atendimento fora do estado. Hoje, Davi faz tratamento em Barretos, referência nacional em oncologia. A rotina inclui quimioterapia semanal e internações frequentes.
Mesmo diante do cenário, o adolescente mantém uma postura que impressiona a família. “Ele disse que não queria ser um adolescente doente. Que preferia enfrentar tudo de uma vez para poder voltar a ter uma vida normal”, relata a mãe.
Segundo o especialista, a retirada de um dos testículos, na maioria dos casos, não impede uma vida normal. O outro órgão costuma compensar a produção hormonal, e a vida sexual tende a ser preservada. Ainda assim, o tratamento pode impactar a fertilidade, motivo pelo qual é indicada a criopreservação de esperma antes do início da terapia.
Enquanto enfrenta o tratamento, Davi carrega um desejo simples: retomar a rotina interrompida pela doença. A história dele reforça o principal alerta dos especialistas: o câncer de testículo pode ser silencioso, mas não pode ser ignorado. Identificar cedo é o que transforma uma doença potencialmente grave em um dos tumores com maior chance de cura na medicina.





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